Quanto custa não ter marketing interno na empresa

Não ter marketing interno tem um custo que não aparece no balanço, mas está em quatro lugares: venda perdida por não estar presente onde o cliente procura, marca inconsistente que faz a empresa parecer menor do que é, retrabalho e desperdício com fornecedores sem ninguém coordenando, e decisão de investimento tomada no achismo por falta de dado. Somados ao longo de um ano, esses itens quase sempre passam do valor de um plano mensal de marketing e design terceirizado. O problema é que ninguém emite nota fiscal da oportunidade que não aconteceu, então o custo fica invisível até alguém olhar de perto.

Esse texto é pra empresa que já fatura, tem um produto ou serviço que funciona, mas não tem uma pessoa ou time cuidando de marca, site, tráfego e conteúdo de forma contínua. O dono resolve o que dá quando sobra tempo, ou aciona um freelancer diferente a cada demanda. Funciona por um tempo, e depois começa a cobrar caro.

O custo da oportunidade perdida

Esse é o mais alto e o mais difícil de enxergar. Toda vez que alguém procura o que você vende e encontra o concorrente primeiro, você pagou por isso sem ver a fatura. Se o seu site não aparece na primeira página do Google pro termo que define o seu negócio, se a sua ficha do Google Meu Negócio está desatualizada, se você não anuncia pra quem está pesquisando com intenção de compra, essas pessoas estão comprando de outro.

Dá pra estimar. Pega o seu ticket médio, multiplica pela quantidade de clientes novos que você fecharia por mês se aparecesse direito, e projeta pra doze meses. Mesmo uma conta conservadora, tipo dois ou três clientes a mais por mês, costuma dar um número que assusta. Não é dinheiro que você perdeu do caixa, é dinheiro que entrou no caixa de outra empresa porque ela estava visível e você não.

Empresa que fatura bem há anos tende a subestimar isso porque a carteira atual paga as contas. Mas carteira não cresce sozinha, e cliente vai embora por motivos que você não controla. Sem uma entrada constante de leads novos, o negócio fica dependente de indicação, e indicação é um canal que ninguém consegue ligar quando precisa.

O custo da marca inconsistente

Sem alguém cuidando disso, a marca vai se espalhando em versões diferentes. O logo do site não é o mesmo do cartão, a cor do Instagram não bate com a da fachada, cada apresentação comercial usa uma fonte, o material que o vendedor manda foi montado por ele no PowerPoint. O cliente não vê uma empresa sólida, vê um conjunto de peças que não conversam, e isso passa a impressão de negócio pequeno e improvisado mesmo quando o faturamento diz o contrário.

Isso tem efeito direto no preço que você consegue cobrar. Marca coerente e bem apresentada sustenta um valor mais alto porque reduz a percepção de risco de quem está comprando. Marca bagunçada empurra a conversa pra desconto, porque o cliente compensa a insegurança pedindo preço menor. A diferença entre fechar um contrato a R$ 5.000 ou a R$ 3.500 muitas vezes está na forma como a proposta e a empresa se apresentam, não no que elas entregam.

O custo do retrabalho com fornecedor

Quando não tem ninguém coordenando, cada demanda de marketing vira um projeto isolado. Você contrata um freelancer pro site, outro pro social, uma gráfica pro material impresso, e nenhum deles tem o contexto do outro. O resultado é retrabalho constante: o designer entrega uma peça fora do tom, o programador não sabe o que a campanha precisa, a gráfica imprime com a cor errada porque não existe um manual de marca pra seguir.

Some o tempo que o dono gasta explicando a mesma coisa pra cada fornecedor novo, revisando entrega, pedindo ajuste, cobrando prazo. Esse tempo é caro porque é tempo de quem deveria estar tocando o negócio, e ainda assim o resultado sai pior do que sairia com um time que já conhece a empresa. Marketing feito por peças avulsas custa mais e entrega menos do que parece, porque o custo de coordenação fica todo no colo de quem menos deveria estar fazendo isso.

O custo de decidir no escuro

Sem marketing estruturado, quase toda decisão de investimento é chute. Você impulsiona um post porque pareceu boa ideia, testa um panfleto porque um conhecido recomendou, para uma campanha porque "não senti diferença". Nada disso é medido, então você nunca sabe o que funcionou.

O prejuízo aqui é duplo. Você continua colocando dinheiro no que não traz retorno porque não tem como saber que não traz, e corta o que estava funcionando porque não tinha como saber que funcionava. Uma estrutura mínima de rastreamento, com Google Analytics, acompanhamento de origem de lead e uma planilha de custo por cliente, transforma o orçamento de marketing de aposta em investimento com leitura. Sem isso, você está pagando por decisões que poderia estar tomando com dado.

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Contratar um funcionário resolve?

Essa é a saída óbvia, e nem sempre é a melhor. Uma pessoa de marketing júnior, sozinha, custa salário mais encargos (o que na prática quase dobra o salário nominal), precisa de tempo pra entender o negócio, e ainda depende de terceiros pra design, programação e gestão de mídia, porque uma pessoa só não faz tudo bem. No fim você tem um custo fixo alto e uma operação que ainda não roda sozinha.

Um profissional pleno ou sênior que dê conta da estratégia inteira custa bem mais, e é difícil de reter numa empresa pequena, porque falta plano de carreira e o profissional bom acaba indo pra um lugar maior. A rotatividade tem seu próprio custo: cada troca joga fora meses de aprendizado sobre o negócio.

Pra maioria das empresas que fatura mas não tem time, um plano mensal com agência entrega design, gestão de tráfego, SEO e estratégia por um valor menor que o de uma única contratação, sem custo fixo de folha, sem rotatividade e com várias mãos especializadas em vez de uma só. Contratar interno passa a fazer sentido quando o volume de trabalho justifica um time dedicado, o que costuma acontecer num estágio de faturamento mais avançado.

Como estimar o seu custo de não ter marketing

Dá pra fazer uma conta rápida você mesmo:

  1. Oportunidade perdida: ticket médio x clientes novos por mês que você fecharia estando visível x 12. Use um número conservador e ainda vai assustar
  2. Desconto por marca fraca: diferença entre o preço que você cobra hoje e o que cobraria com uma apresentação sólida, multiplicada pelo número de contratos no ano
  3. Retrabalho: horas suas e da equipe gastas coordenando fornecedor e revisando entrega por mês, multiplicadas pelo valor da sua hora
  4. Desperdício de mídia: quanto você já gastou em impulsionamento e anúncio sem saber o retorno nos últimos 12 meses

Soma os quatro. Compara com o custo anual de um plano mensal de marketing e design. Na maioria dos casos, o custo de não ter é maior, e essa é a conta que costuma estar faltando na hora de decidir.

Perguntas frequentes

Quanto custa não ter marketing interno na empresa?
O custo está em quatro lugares: venda perdida por não estar visível, marca inconsistente que derruba o preço que você consegue cobrar, retrabalho com fornecedores sem coordenação, e decisão de investimento no achismo. Somados num ano, costumam superar o valor de um plano mensal terceirizado.

Vale a pena contratar um funcionário de marketing ou terceirizar?
Depende do volume. Uma pessoa júnior sozinha tem custo fixo alto e ainda precisa de designer e gestor de mídia. Para quem fatura mas não tem time, um plano mensal com agência entrega mais por menos, sem folha e sem rotatividade.

Como saber se minha empresa está perdendo dinheiro por falta de marketing?
Se você não sabe de onde vêm seus clientes, seu site não aparece no Google pro que você vende, a marca está diferente em cada material e concorrentes menores aparecem mais que você, tem receita ficando na mesa.

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